Sobre a proponente

escritora_sarah_adamopoulos_2017

Depois do jornalismo, o meu primeiro grande amor e ofício*, a que fiquei a dever a prática da reflexão e da escrita como modo de existir, descobri no teatro o meu segundo grande amor. Arte total, de possibilidades infinitas, tanto ao gosto do espírito que me habita, o teatro tem-me proporcionado, como dramaturgista em projectos de formação dirigidos à população de Almada (trabalhando com pedagogos e formadores na construção de textos novos para teatro levado à cena, muito embora não editados) a oportunidade de exercitar a reflexão e a escrita aplicadas à prática teatral e, de modo mais abrangente, performativa. E gosto tanto mais dela quanto mais nova, quanto mais inovadora, quanto mais disruptiva, se possível jamais tentada – pois a cada manhã muito está ainda por fazer no Mundo, palco da Humanidade.

Há alguns anos, na sequência de uma candidatura para integrar um projecto da Companhia Maior (CCB, Lisboa), não fui aceite por ser nova de mais (eram bastante específicas as regras relativas à idade dos participantes). Mandaram-me ir para casa envelhecer, por assim dizer. Fiquei a pensar nisso, enquanto envelhecia, enquanto observava os outros em meu redor a envelhecer e a sofrer com isso, e enquanto aprofundava e aperfeiçoava as minhas sabedorias teatrais e “dramaturgísticas” – construindo textos para espectáculos em processo de criação colectiva, trabalhando temas sensíveis (a conjugalidade**, a identidade***, ou a família****, por exemplo), documentando o nosso tempo e as nossas experiências e representações colectivas humanas, escrevendo, reescrevendo, compondo (há para mim no teatro muito de musical e de plástico para dialogar com um texto), experimentando, sempre procurando contribuir para a criação de espectáculos passíveis de conter as qualidades que definem o teatro de arte. E ainda, claro, vendo espectáculos, e por vezes escrevendo sobre eles.

A minha passagem pela Companhia de Teatro de Almada (CTA) foi também decisiva nesta caminhada teatral. O trabalho com Joaquim Benite e a equipa que integrei entre 2011 e 2013 como colaboradora das edições da CTA, a que se acrescentou a experiência de escrita e edição para duas edições do Festival de Almada (2011 e 2012) e o contacto com incontáveis companhias teatrais (muitas de outras origens, algumas com percursos internacionais consolidados), artistas, textos para teatro, etc., foram muito enriquecedores e proporcionaram-me ensinamentos práticos e teóricos inesquecíveis.

Finalmente, a investigação, escrita, direcção e coordenação editorial da obra A Cidade do Teatro (realizada com uma equipa de autores para assinalar os 20 anos da Mostra de Teatro de Almada) deu-me a oportunidade de me debruçar sobre as origens do teatro em Almada e sobre a história social das populações dos territórios envolventes que estão na sua génese (incluindo Lisboa, de onde veio Joaquim Benite com o seu Teatro de Campolide, transferindo para a margem sul do Tejo um projecto teatral que procurava um chão fértil para se desenvolver).

Este projecto representa para mim uma oportunidade de construir algo desafiante do ponto de vista criativo. Algo novo, de raiz, em processo colaborativo com várias pessoas e comunidades. Proponho-me dirigir e fazer desenvolver o projecto, envolvendo formadores, artistas, técnicos e comunidades de 10 concelhos ao longo de 24 meses.

Para votar neste projecto por SMS envie uma mensagem para o 3838 com o texto: OPP [espaço] 324 [espaço] número de identificação civil completo
sintaxe a inserir: 123456789XX0 (9 dígitos + 2 letras + 1 dígito).

ou vote online na página do projecto na plataforma do OPP.

*(quando ainda havia jornalismo – não que tenha desaparecido para todo o sempre, mas está, digamos assim, suspenso pela desregulação e primeiros efeitos da economia digital global nos modelos de negócio de financiamento à actividade).

**O homem que não há (2007) e Teoria geral dos maridos (2008), para o Teatro de Areia, com encenação de Francis Seleck, ambos estreados no Auditório Fernando Lopes-Graça, em Almada;
***Partir (2013), para o Teatro de Areia, com encenação de Francis Seleck, estreado por ocasião da Abertura da Mostra de Teatro de Almada desse ano – levado depois, em acolhimento, no âmbito da programação regular, ao antigo espaço do Teatro Extremo, e posteriormente também encenado por Rui Cabrita para o Teatro do Penedo Grande, São Bartolomeu de Messines, em 2016, com estreia no Teatro Mascarenhas Gregório, Silves; e Razia (2014), para os Actos Urbanos, com encenação de Joana Sabala, estreado no então recém-requalificado auditório/sala de teatro da Academia Almadense, em Almada Velha);
**** Criação (2018), para os Actos Urbanos, com encenação de Joana Sabala.

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